Filosofia para o ensino médio - textos e reflexões
Blog dedicado a professores e estudantes do ensino médio, contendo textos, músicas, poesias e outras referências.
sábado, 11 de julho de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
Programa de Índio - etnocentrismo nosso de cada dia
Depois de uma longa e complexa explicação, meu amigo antropólogo conseguiu fazer com que o taxista finalamente entendesse sua profissão, dizendo: "Trabalho com índios". O motorista então perguntou, interessado: "E aí, eles estão melhorando?" Meu amigo não entendeu. "Como assim, melhorando?" "Assim, evoluindo: ou ainda estão naquele atraso da época do descobrimento?"
Infelizmente, a maioria das pessoas pensa como o taxista. Como se numa suposta corrida, nós, descendentes da cultura europeia e pertencentes a esse negócio chamado "civilização ocidental", (...) estivéssemos na frente dos índios. Só que não tem corrida nenhuma e os conceitos de frente etrás desaparecem no ar, como a fumaça que sai dos escpamentos dos carros ou do cachimbo do pajé.
Claro que, se formos comparar o conhecimento técnico ou o domínio sobre a natureza, nossa sociedade é muito mais desenvolvida do que a dos ianomâmis. Nós fazemos foguetes que vão á Lua e hidroelétricas que produzem energia, eles sequer fundem metais. Por que então não podemos dizere que somos mais "evoluídos?" Porque não está escrito emlugar nenhum que o bjetivo do homem na Terra é desenvolver-se tecnicamente e dominar a natureza. Se pensarmos que "evolução" é chegar o mais perto possível de uma sociedade igualitária, então nós somos um fiasco, com milhões de pessoas vivendo na miséria. Os ianomâmis, o auge da evolução.
Não quero, de maneira nenhuma, passar a falsa idéia de que nós somos maus e os índios bonzinhos. Eles também fazem guerra e matam uns aos outros, assim como os povos mais civlizados. O que estou dizendo é que, se avida não tem um sentido viver seminu na selva louvando o grande deus da jaca é tão evoluído ou idiota quanto correr de Nike air numa esteira contando as calorias.
Meu amigo, no entanto, ficou com preguiça e simplesmente respondeu ao taxista: "Não melhoraram nada, estão iguaizinhos". O taxista moveu a cabeça de um lado para o outro, triste e parado num trânsito de 137 quilômetros, 30 quilos acima do peso, fumando excessivamente e casado com uma mulher que não ama, falou: "Coitados".
Antonio Prata - Revista Capricho s/d. Indicação: Marina Roale - estudante do 3° ano EM - CSRO
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Nada acaba em Nada e a Filosofia.
O princípio de Epicuro talvez nunca tenha sido tão atual: “Nada vem do nada; nada acaba em nada!”. Remete-nos a um tipo de consciência do que se é e do que se faz, visando à felicidade que se quer. Sua preocupação na época girava em torna das repercussões e excessos da “publicidade” nos mercados da cidade de Salmos, na Grécia. Já naquela época as pessoas consumiam em excesso, na dinâmica atual: “preencham seu vazio com um produto!”. Os excessos de apelos “de fora” comprometiam a verdadeira visão de si mesmo, deturpando as verdadeiras necessidades, causando o vazio e a infelicidade. Neste caso, a busca pela filosofia seria um remédio para a alma, como o único capaz de nos tornar livres, uma das condições para a obtenção da felicidade: “deves servir à filosofia para que possas alcançar a verdadeira liberdade”.Longe de promessas terapêuticas, ou de fórmulas prontas, a filosofia provoca um movimento solitário, já proposto por Sócrates: γνωθι σεαυτον (gnothi seauton, "conhece-te a ti próprio"). Um despertar para a consciência de si, e do mundo, algo só possível na subjetividade, e decisivo para o conhecimento de si, antes do conhecimento do mundo. Epicuro também afirmava a necessidade de um auto-conhecimento, dizia que por não entendermos as nossas necessidades, caimos vítimas de desejos substitutos, como exemplo: calças que não nos servem, ou excessos de sapatos que nunca iremos usar.
Sentimo-nos atraídos pelos bens materias, na crença de que eles nos trarão felicidade; até podem trazer, mas será que é a felicidade da qual realmente necessitamos?
Nem sempre desejamos aquilo que precisamos, isso em nível de objetos materias, ou de relações pessoais. Nunca se teve tanta facilidade de acesso à comunicação entre as pessoas: celular, msn, e-mail, skype e etc; no entanto, alimentamos a sensação de vazio, de falta de troca, de entendimento nas relações humanas. Por maiores os avanços da técnica e de de seus produtos, visando à facilidade da vida, sempre haverá algo de subjetivo, próprio do humano que só remete a si mesmo. Nisso, a filosofia não promove o caminho, mas fomenta a busca por ele.
Epicuro viveu de 341-270 a. C., aos 35 anos comprou uma casa retirada da cidade, e chamou alguns amigos para morarem com ele. A casa era ampla, com privacidade para todos, apenas as refeições e conversas eram feitas em áreas afins, como por exemplo o jardim (kepos). É daí que surge o jardim de Epicuro, que até hoje denominanos de jardim de infância, devido ao apelo pelo lúdico e ao clima fraternal. Lá, as sanções não existiam, o Kepos admitia as mulheres, os escravos, estrangeiros, quem quer que se interessasse pela proposta epicurista: de amizade e amor à filosofia e à humanidade.
A proposta do blog “Nada vem do Nada”, à semelhança da proposta de Epicuro, é de uma reflexão de si mesmo, a busca pela filosofia e sua atividade. Para quê? Para a vida! Qual o propósito? A felicidade! Questões tão elementares, que o avanço científico e a técnica ainda não conseguiram responder à humanidade. Ainda que não saibamos de onde viemos, ou para onde iremos, certamente acabaremos em algum lugar, pois “Nada acaba em nada”!
Andreia Maciel, professora de Filosofia.
Nem sempre desejamos aquilo que precisamos, isso em nível de objetos materias, ou de relações pessoais. Nunca se teve tanta facilidade de acesso à comunicação entre as pessoas: celular, msn, e-mail, skype e etc; no entanto, alimentamos a sensação de vazio, de falta de troca, de entendimento nas relações humanas. Por maiores os avanços da técnica e de de seus produtos, visando à facilidade da vida, sempre haverá algo de subjetivo, próprio do humano que só remete a si mesmo. Nisso, a filosofia não promove o caminho, mas fomenta a busca por ele.
Epicuro viveu de 341-270 a. C., aos 35 anos comprou uma casa retirada da cidade, e chamou alguns amigos para morarem com ele. A casa era ampla, com privacidade para todos, apenas as refeições e conversas eram feitas em áreas afins, como por exemplo o jardim (kepos). É daí que surge o jardim de Epicuro, que até hoje denominanos de jardim de infância, devido ao apelo pelo lúdico e ao clima fraternal. Lá, as sanções não existiam, o Kepos admitia as mulheres, os escravos, estrangeiros, quem quer que se interessasse pela proposta epicurista: de amizade e amor à filosofia e à humanidade.
A proposta do blog “Nada vem do Nada”, à semelhança da proposta de Epicuro, é de uma reflexão de si mesmo, a busca pela filosofia e sua atividade. Para quê? Para a vida! Qual o propósito? A felicidade! Questões tão elementares, que o avanço científico e a técnica ainda não conseguiram responder à humanidade. Ainda que não saibamos de onde viemos, ou para onde iremos, certamente acabaremos em algum lugar, pois “Nada acaba em nada”!
Andreia Maciel, professora de Filosofia.
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